terça-feira, 16 de agosto de 2011

A virada na formação – Educação a Distância


O Brasil forma, atualmente, mais professores para a educação infantil e para o fundamental 1 pela via do Ensino a Distância (EAD) do que pela educação presencial. Dos 118.376 estudantes que concluíram essas habilitações em 2009, 65.354 (55%) graduaram-se por EAD, contra 52.842 (45%) egressos da educação presencial, de acordo com números do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esse resultado é inédito e confirma uma tendência já evidenciada na série histórica iniciada em 2005. Daquele ano até 2009, a quantidade de concluintes pelo modelo presencial decresceu, ano a ano, com queda de quase 50% no período (de 103.626 para 52.842). Ao mesmo tempo, a quantidade de formados por EAD cresceu, aproximadamente, 464% (de 11.576 para 65.354).
Também no que diz respeito à quantidade de docentes em exercício na Educação Básica que estavam matriculados em cursos de pedagogia, aqueles oriundos da formação a distância eram maioria em 2009, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Das 192.965 matrículas, 60% eram em EAD. Em outras licenciaturas, letras, matemática, história, a lógica se inverte. Porém, a diferença a favor do presencial varia caso a caso e, em muitos deles, é inexpressiva.
Em números absolutos, o ensino presencial responde pela maioria dos docentes, mas em termos percentuais, ou seja, como tendência, EAD cresce mais. Entre 2000 e 2009, licenciaturas nesse segmento saíram de 1.682 matrículas para 427.730. No presencial, foram de 836.154 para 978.061. Expansão entre 2000 e 2004 e retração de 2005 a 2009.
Outro dado relevante refere-se à evasão (ao analisar a quantidade das matrículas e o número de concluintes). Com base nos dados de 2009, em EAD, 20% dos matriculados se formaram (88.194). No presencial foram 19% (188.807). Os dados de formados se referem aos ingressantes de quatro anos antes.
Universo pantanoso
O fato de termos mais pedagogos e substancial quantidade de professores da Educação Básica graduados integralmente ou obtendo qualificação continuada, mestrado e doutorado a distância exige reflexão. Implica mensurar qual é o crescimento real desse ensino, especialmente, no tangente à licenciatura. Nem entidades civis nem o governo têm acompanhado com precisão essas modificações. Em termos de levantamento quantitativo educacional, relacionado aos docentes, as estatísticas não se consolidam numa instância única. Os estudantes do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) e da Universidade Aberta do Brasil (UAB) são de responsabilidade da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes. Demais alunos, oriundos do setor particular, assim como egressos dos sistemas estaduais do Ensino Superior, são contabilizados pelo Inep. Cada um dos níveis executivos governamentais tem maneiras distintas de realizar suas verificações com questionários próprios, softwares exclusivos (como a plataforma Paulo Freire) e necessidades particulares de averiguação da informação. O MEC oferece tais dados, mas não há uma mensuração final dos resultados.
A expansão em EAD requer, ainda, verificar quais medidas são adotadas para adequá-la às necessidades dos alunos brasileiros, particularmente, àqueles na graduação, período educacional composto, em tese, por jovens (entre 18 e 24 anos de idade), sem experiência prévia de trabalho, muitas vezes, com formação precária no ensino fundamental. Neste cenário, surgem algumas perguntas: A educação a distância garante uma boa formação pedagógica desses alunos? O país está apto a adotá-la maciçamente como maneira de suprir a carência de professores? E esse professor terá qualidade para educar?
Colaboração
O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão independente, com funções consultivas junto ao MEC emite desde 2008 pareceres ao Ministério para investir em EAD, para combater o déficit docente. Neste ano, o CNE, por meio de uma comissão bicameral, revê as diretrizes da formação de professores em nível superior para atuação na Educação Básica. O trabalho realizado por reuniões mensais entre sete conselheiros das Câmaras de Ensino Básico e Superior tem previsão de término no final de 2011, quando se emitirá um parecer sobre o assunto. O MEC poderá homologá-lo até maio de 2012.
A importância desse modelo de ensino, conferido pelo Conselho, é identificada em outra de suas ações, seu parecer para as novas Diretrizes Curriculares no Ensino Médio, proferido em abril último.
Para Clélia Brandão, presidente da Comissão Bicameral do CNE, o desenvolvimento de EAD na formação dos docentes ou no sistema de ensino é estratégico. “O país precisa para isso de investimento e planejamento integrados entre União, estados e municípios.”
Quando questionada sobre o acompanhamento tanto do professor em sala de aula quanto em seu período de graduação ou especialização, a conselheira diz não haver ferramentas para medir de forma garantida a aprendizagem dos profissionais formados pela via do EAD. “A qualidade precisa ser acompanhada por pais, gestores públicos, pela sociedade”, reforça. Ela lembra, porém, o fato de o Brasil ser federativo, com as secretarias de Educação tendo autonomia para avaliar o desempenho dos professores. “Não há como fazer uma determinação nacional daquilo que é específico de cada estado e município. Uma avaliação nacional nesse tema não sanaria deficiências”, enfatiza.
Daí, sua lembrança sobre a importância dos fóruns estaduais de educação. Na visão dela, locais mais indicados para o acompanhamento da oferta do ensino e qualidade profissional resultante dele. “Os fóruns são os espaços mais legítimos para começar a pensar no acompanhamento da qualidade profissional”, garante. Ela reforça a importância de tais acompanhamentos não serem provas nacionais, e sim instrumentos para resguardar a educação como direito de todos, e a aprendizagem como direito social. Tudo isso tendo em vista diferenças regionais, metas e objetivos planejados.
É desse trabalho de “colaboração” entre os entes federados que devem surgir os melhores instrumentos avaliativos. “Gestores universitários, professores, entre outros, precisam estar nesse processo”, defende. Ainda neste ano, o CNE promoverá o Seminário para a Avaliação do Desempenho na Educação Básica. A data ainda não foi definida.
A falta de supervisão sobre a qualidade do ensino oferecido aos professores foi um dos aspectos realçados por um estudo publicado pela Unesco em 2009. “Professores do Brasil: Impasses e desafios”, coordenado por Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, indicou a incapacidade do governo na fiscalização dos cursos, entre outras conclusões.
Importação arriscada
A via de simplesmente adaptar o que já existe em outros países não é uma solução recomendada para dar o pontapé inicial a esse tipo de fiscalização. Isso porque há vários fatores bastante distintos daqueles que encontramos aqui. Na Finlândia, por exemplo, país que é referência mundial pela qualidade do sistema educacional, a formação docente é mais longa, com no mínimo cinco anos de duração. São atraídos à docência pela valorização profissional existente por lá. Por estatísticas do governo finlandês, a média inicial do salário do professor é de US$ 2.111,00. “Em função desse tipo de diferença entre os países, acho difícil utilizar qualquer modelo aplicado em outros lugares. Isso é tentar comparar coisas incomparáveis”, acredita Clélia.
Para a atual secretária de Educação do Distrito Federal, Regina Vinhaes Gracindo, um modelo de avaliação possível para a questão da qualidade do professor baseia-se em três etapas: na verificação do credenciamento das instituições de ensino superior (locais de oferta dos cursos); nos concursos públicos (competências exigidas pelas secretarias de Educação); e no processo educativo das escolas. “De qualquer maneira, avaliação não deve ser planejada para a emissão de bônus. Não se trata de premiar ou castigar os avaliados, mas aprimorar o professor”, reflete.
No DF, há 28 mil professores no sistema educacional. Desses, mil não têm curso superior. Para modificar essa situação, foram desenvolvidos programas de capacitação para aprimorar as habilidades docentes. A secretária vê com ressalvas a expansão da EAD entre as licenciaturas. “É uma modalidade importante para a formação continuada, mas não para a inicial. Se possível, a primeira graduação deve ser presencial, seja qual for a licenciatura”, diz. O modelo presencial é mais completo por possibilitar maior socialização, estimulando o processo cognitivo e a aprendizagem coletiva, relações menos intensas em EAD, pondera.
Pesquisas sobre o perfil do estudante nas licenciaturas em EAD, no Brasil, são feitas, em grande parte, por universidades particulares ou por pós-graduandos dedicados ao tema. Porém, não há material de investigação acadêmica (ou do governo) conclusivo sobre o perfil desse aluno. Um dos fatores para isso é o crescimento recente da modalidade e o pouco tempo de prática em sala de aula dos formandos. Algumas características dos estudantes que aderem a ela, no entanto, são comuns entre os alunos de licenciaturas e aqueles de outras áreas.
Dificuldades
“No Brasil, EAD se impõe como necessidade, como ocorreu em muitos países”, assegura João Carlos Teatini, diretor de Ensino a Distância da Capes. Essa “necessidade” fundamenta-se, entre outros aspectos, pela dimensão continental do território e pela carência financeira de grande parte da população.
No âmbito das licenciaturas, Teatini indica a alta carga horária do professor em exercício como elemento complicador para aperfeiçoamento em cursos presenciais. “Eles enfrentam dificuldades enormes de deslocamento. Não têm tempo para se qualificar. Essa realidade existe nas metrópoles ou cidades afastadas dos centros urbanos.” Esse seria um dos “fortíssimos” motivos à aplicação de EAD no aprimoramento do docente.
A Capes é a instância responsável pela UAB, iniciativa do governo federal de fomento à modalidade. Suas graduações, basicamente, destinam-se às licenciaturas, para capacitar o professor da Educação Básica, em municípios do interior sem oferta de educação superior pública. Outra ação do governo, o Parfor, está sob a alçada da Capes. Por isso, a posição de Teatini no órgão coloca-o no centro do debate sobre as licenciaturas. Ciente de seu papel, alerta: “Do ponto de vista cronológico, estamos 40 anos atrasados em política pública para EAD ao nos compararmos a outros países” (ver texto na página 32). Nesse hiato, ocorreu um crescimento desenfreado das instituições de ensino superior particulares. Dos atuais professores da Educação Básica, 75% são egressos dessas instituições. “Um dos esforços do governo é conscientizar instituições superiores públicas para se voltarem às licenciaturas, como já fizeram no passado”, enfatiza.
Antes de apontar para um problema específico da modalidade a distância, Heleno Araújo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), introduz o tema com a ressalva de que os investimentos em educação são pequenos e que duplicá-los seria o primeiro passo para melhorar a formação.
Lembra, ainda, a urgência de verificar como o governo deseja informatizar as escolas. “Muitas delas sofrem com falta de energia. Em vários casos, a rede elétrica não comporta o computador e, às vezes, por falta de segurança, o computador, lá instalado, é roubado. Estamos longe do uso da tecnologia na perspectiva como se coloca em EAD.”
Acesso remoto
A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) também destaca a necessidade de observar aspectos de infraestrutura para que o ensino a distância possa cumprir seu papel. “Precisamos oferecer banda larga de qualidade nos estados”, pondera Cleuza Repulho, presidente da Undime, para quem as dimensões continentais do Brasil favorecem a modalidade.
Ao exemplificar seu argumento, ela lembra diálogo com representantes educacionais de Abaetetuba (PA), onde se leva, segundo relatos, 15 dias para visitar todas as escolas da área. “A dificuldade deles é imensa. Vamos desconsiderar esses alunos? Esses professores? Ou as universidades se disporão a ir até os lugares mais remotos?”, pergunta.
Apesar de dificuldades técnicas para utilização da internet, o Brasil é o quinto maior país do mundo em conexão à web. E mais: por projeções do Centro de Tecnologia da Fundação Getulio Vargas, até 2012 teremos um computador para cada dois habitantes. Atualmente, há 85 milhões de computadores em uso.
A despeito de ainda serem incipientes os estudos sobre os egressos da formação a distância ou as métricas para avaliação desse graduado, resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) são utilizados por instituições e entidades defensoras do EAD para reafirmar a qualidade de ensino da modalidade.
Em 2010, a maior nota do Enade, 80,3 pontos, foi alcançada por Antônio Edijalma Rocha Júnior, do curso a distância de Tecnologia em Gestão da Produção Industrial, do Grupo Educacional Uninter. Bem acima da média geral do teste, 45 pontos. Outros levantamentos do Inep apontaram, também, que estudantes em EAD saíram-se melhor em sete de 13 áreas possíveis de comparação entre as modalidades, entre elas biologia, geografia e matemática. Ainda a título de comparação, o Inep analisou, em anos anteriores, o desempenho no Enade dos formandos em EAD e presencial em administração, matemática, pedagogia e serviço social. No geral, o resultado dos egressos da educação a distância foi 6,7 pontos superior ao dos alunos de cursos presenciais.
Para o presidente do Instituto de Pesquisa e Administração da Educação (Ipae), João Roberto Moreira Alves, os resultados do Enade são indicativos de qualidade do ensino, mas são incompletos. “Os alunos que fazem o exame precisariam ter mais comprometimento.” Segundo ele, muitos se submetem ao exame apenas para cumprir uma obrigação, sem compromisso de ter um bom desempenho.
Prática
A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) é responsável pela supervisão dos cursos da modalidade a distância nas instituições superiores. Criada no início deste ano, absorveu atribuições que antes eram das secretarias de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), de Educação Superior (Sesu) e de Educação a Distância (SEED), essa extinta no começo do ano.
Como os processos de regulação, supervisão e credenciamento das instituições em EAD são relativamente recentes, apenas três instituições foram descredenciadas pelo MEC por não atenderem às condições exigidas de ensino ou funcionamento. Até 2008, de acordo com a Seres, o MEC se concentrou na regulação (credenciamento e autorização de cursos). A supervisão foi iniciada a partir de então, e as instituições supervisionadas foram aquelas com maior número de alunos ou com denúncias significativas. Ou seja, nestes três últimos anos passaram por supervisão 40 instituições. Foram assinados 18 termos de saneamento, ajustes na oferta do ensino e gestão da instituição. Foram fechados 3.800 polos de apoio presencial e extinguiram-se mais de 20 mil vagas de ingresso.
Nessa discussão, Cezar Nunes, pesquisador da Fundação de Apoio à Faculdade de Educação da USP (Fafe), agrega outro ponto de reflexão: o fato de o país não ter estabelecido práticas de como os graduandos possam utilizar ferramentas tecnológicas para explorar o conteúdo educacional a ser ensinado nas licenciaturas em EAD. “Fazemos uma formação específica de professores, mas eles não trabalharão a distância. Estarão no presencial, porque assim é a nossa Educação Básica”, pondera.
A educação desenvolve diversas habilidades humanas como a colaboração, pensamento crítico, pesquisas. “Daí a tecnologia ser forte aliada para dinamizar o processo de aprendizagem. Mas essa prática precisa ser mostrada aos professores em sua formação”, adverte.
Fonte: revistaeducacao.uol.com.br

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

João Mattar fala sobre as características e os desafios da EAD no Brasil


Pesquisador especializado em tecnologia da educação e um dos principais nomes da Educação a Distância (EaD) no país, João Mattar, colaborador do Portal Educação, esteve na empresa para conversar com os diretores sobre novos métodos de trabalho e novos conceitos ligados a EaD.
Não deixamos a oportunidade passar e fizemos uma breve entrevista com o especialista, abordando questões que interessam a qualquer pessoa que já pensou, pensa, ou pensará em fazer um curso a distância. Ele também fala sobre desafios na educação presencial. Vale a pena conferir e conhecer melhor o cenário da EaD no país.
Como está a confiança das pessoas em relação a educação a distância?
Tem melhorado ano a ano. O Governo Federal tem investido na formação dos professores a distância. Hoje nós temos a Universidade Aberta do Brasil (UAB), que já garante uma legitimidade, por ser o governo apoiando. Tem muita empresa de fora oferecendo cursos e a gente vê que o movimento é no mundo todo, e não só no Brasil. Além disso, uma coisa importante é que toda universidade pode oferecer 20% das disciplinas à distância. No começo, pouquíssimas faziam isso, e hoje está generalizado. Todo mundo que vai fazer faculdade presencial provavelmente terá alguns cursos à distância. Isso tudo vai aumentando a confiança das pessoas.
Tem aumentado a exigência para profissionais que estão entrando no setor de EaD?
Isso é um problema ainda, na verdade é um dos gargalos da história. Nós temos muito professor atuando em EaD sem formação adequada. No começo, não existia ninguém formado em educação a distância no Brasil. Começou com alguns pioneiros, que fizeram o curso fora do país. Aí entra o trabalho da Universidade Aberta do Brasil (UAB), que é usar a educação a distância para formar professores que, a princípio, são presenciais. Usa-se a educação a distância porque, pela educação presencial, não conseguiríamos formar o número de professores necessários nas salas de aula. A formação de professores de educação a distância é um problema ainda. O governo não faz isso bem. Algumas instituições privadas ou públicas oferecem alguns cursos, mas é pouco ainda, não temos tradição. Precisamos de mão de obra para ser reconhecida como referência de autoridades.
E o reconhecimento para profissionais formados por EaD, como está?
O Ministério da Educação (MEC) não permite que o diploma venha escrito “educação a distância”. Então, a princípio, nem sei como é feita essa mensuração porque, se a pessoa está com diploma e ninguém pergunta nada, ela é formada e pronto. Não se pode dizer que ela é formada em EaD. Sei que alguns Conselhos profissionais não aceitam o profissional formado em EaD. Mas as estatísticas mostram que tem diminuído muito a resistência. Até porque muita gente que faz curso presencial faz disciplinas a distância, e muita gente que faz cursos a distância tem encontros presenciais. Então a tendência é que não exista mais uma separação tão clara entre presencial e a distância. Se a pessoa teve uma formação presencial ou a distância, isso não vai fazer muita diferença. O mercado não vai medir isso.
Há um novo perfil de aluno de EaD surgindo?
A gente costuma dizer que sim, que o aluno tem que ser mais autônomo, mais auto-organizado, pois não tem um professor para cobrar, aula para ir. Mas isso não significa que o aluno não pode se adaptar. Na verdade, as pessoas se adaptam com facilidade a essas características exigidas, se elas são treinadas. Muitos cursos à distância, e esta é a pratica ideal, transformam a pessoa que está entrando em um aluno a distância antes e, depois disso, ele começa a fazer matérias. Preparação, desenvolver autodisciplina, acho que tudo pode ser desenvolvido. Levando isso em consideração, pode-se dizer que o perfil do aluno que sai é diferente, porque ele foi preparado para isso.
Vamos falar um pouco de novas tecnologias. Elas estão ganhando espaço na EaD?
Sim. Mas há um modelo de EaD que defende que devemos usar pouca tecnologia, só o mínimo. Ainda tem gente que defende o minimalismo tecnológico, que faz EaD de muito boa qualidade por lista de e-mail. Muita gente adora, dá certo. O outro modelo já não, utiliza bastante tecnologia: fóruns, chats, ambientes virtuais de aprendizagem, videoconferência, móbile, dispositivos móveis, mundos tridimensionais. O que realmente faz falta, tanto na EaD quanto na educação presencial, é a aplicação da tecnologia educacional. Nós temos um grande desafio, que é treinar os professores para usarem essas tecnologias, tanto na educação a distância quanto na presencial.
A tecnologia acaba sendo mais presente na EaD do que na educação presencial? A EaD depende de tecnologia?
Sim. Mas ambos os sistemas necessitam de tecnologia. Algumas pessoas falam que na EaD, pela distância, é necessária a utilização de mais meios tecnológicos. Mas é só no Brasil que isso acontece. Fora do Brasil, a “education tecnology” é um campo de estudos riquíssimo e não tem distinções quanto ao ensino presencial e a distância. Na EaD, é natural a utilização da tecnologia. Mas na presencial é um desafio muito grande porque depende de modificações em uma cultura enraizada.
Quais os maiores desafios para a área de EaD?
Formação de profissionais para atuar em educação a distância. A maioria dos tutores não tem formação em EaD. Faltam cursos de pós-graduação, especialização, treinamento para os profissionais trabalharem com design instrucional.
E também tem o problema dos modelos. O modelo que impera no Brasil é o autoinstrucional, em que o aluno estuda sozinho e faz uma prova no final. Existem modelos que são opostos a esse, são modelos interativos. A gente caminhou para um modelo que dispensa a presença do professor. Eu acho isso um grande problema. Para cursos rápidos, sem problemas. Agora, numa graduação, numa pós-graduação isso não é aceitável. Existem modelos com interação e a gente não caminhou para isso no Brasil. Vai ser muito difícil reverter a situação, porque hábitos não se mudam rapidamente, e a gente caminhou para modelos em que se aposta muito pouco na figura do professor e se baseia na figura do aluno estudando sozinho. Eu tenho sido contrário a isso, tenho mostrado que tem um modelo de EaD que pode ter interação, que a pessoa pode participar. Você chama um pouco mais, exige, não deixa só ela ler, fazer atividade.
Eu acho que a questão da formação da mão de obra e os modelos são os dois maiores desafios. A questão da credibilidade tem sido enfrentada. A resistência em relação ao modelo autoinstrucional ainda é grande. E eu também sou contra esse modelo. Ele não funciona, é pouco efetivo, mas tem outros modelos que funcionam muito bem.
Quais as recomendações para alguém que quer fazer um curso a distância?
Primeiro ele decide a área. Depois, pesquisa. Por exemplo, graduação em Direito ou Medicina não existe a distância no Brasil. Depois, ele tem que pesquisar para ver qual o modelo; o fato de ser “a distância” não define a história. Hoje é tão misturado que é possível que o curso que ele queira fazer exija a presença em um pólo, provas presenciais.
Além disso, ele precisa pesquisar a credibilidade da instituição. O MEC tem uma lista de instituições credenciadas. A avaliação é difícil, mas ele pode ler, procurar se informar, perguntar para as pessoas. Se a pessoa se decepciona com a presencial, ela muda de universidade. Se ela se decepciona com a EaD, ela acha que não se adapta ao modelo e desiste. Então ele tem que perguntar para pessoas que fizeram na área que ele fez.
Hoje, boas universidades presenciais montaram bons cursos a distância. Uma boa instituição presencial não vai se arriscar e fazer um trabalho ruim a distância porque ele vai acabar com a credibilidade que ele tinha no presencial. E se a pessoa tem disponibilidade, tempo e dinheiro para pagar um curso presencial, vale a pena, porque ele será apresentando aos dois modelos. Mas se é mais adequado para ela fazer a distância, basta pesquisar e se lançar na experiência.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Educação: Distância ou Presencial?


Num mundo globalizado, onde as tecnologias estão á disposição de todos. O processo educativo não ficaria atrás, utilizando-se das mais variadas mídias começa a desempenhar seu papel na transição da educação massiva para o processo da interação com esses valiosos recursos.
A disposição interativa permite ao usuário serem ator e autor, fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos. O usuário pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar. Em suma, a interatividade permite ultrapassar a condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo.1
A educação presencial sempre teve e terá seu espaço no processo educativo, é um sistema tradicional, que não dispensa a presença do professor e alunos, desenvolvendo o processo educacional através da difusão destes conhecimentos, muitas vezes sem se preocupar se está surtindo efeito, que em sua maioria não gera interação entre professor e aluno, em outros casos ocorre na educação presencial, á moderação com participação na retirada de dúvidas. Muito pouco quando se compara com a interação gerada pela educação à distância.
A Educação diante dos novos paradigmas se torna renovada e transforma o modelo de recepção clássica com sua forma de difusão. Não há improvisos, infelizmente comum numa relação presencial - aluno/professor. Na EAD os educadores estão descobrindo que a verdadeira educação deve ter a participação ativa do aluno. Respondendo ao processo por inteiro. Daí a necessidade, não de suplantar a educação presencial, mais sim trazer alguns frutos para mesma, aperfeiçoá-la, torná-la um instrumento mais efetivo no processo de transformação social através da mesma. Um Bom material, uma boa mídia não é tudo, é preciso responsabilidade e profissionais altamente competentes, para garantir o alcance dos resultados educacionais e atingir o processo de democratização do ensino superior. Na sala de aula presencial as atividades individuais e soltárias predominam contribuindo assim para a baixa participação oral dos alunos.
A interatividade como elemento comunicativo entrou de uma vez na sociedade moderna e a educação não ficou a parte aderiu aos sistemas dialógicos da emissão e recepção de dados amplia a capacidade de co-criar, manipular, modificar tudo dentro do processo. Interagir plenamente como senhor autônomo que define seus momentos de aprendizagem.
Estas disposições refletem "uma mudança fundamental no esquema clássico da comunicação", uma mudança paradigmática na teoria e pragmática comunicacionais: "o emissor não emite mais no sentido que se entende habitualmente. Ele não propõe uma mensagem fechada, ao contrário, oferece um leque de possibilidades... O receptor não está mais em situação de recepção clássica. A mensagem só toma todo o seu significado sob a sua intervenção. Ele se torna, de certa maneira, criador. Enfim, a mensagem que agora pode ser recomposta, reorganizada, modificada em permanência sob o impacto das intervenções do receptor dos ditames do sistema, perde seu estatuto de mensagem ‘emitida’. Assim, parece claramente que o esquema clássico da informação, que se baseava numa ligação unilateral emissor-mensagem-receptor, se acha mal colocado em situação de interatividade".2
Na Educação presencial o professor simplesmente transmite o conhecimento de forma seca, ele não modela os domínios do conhecimento, é o professor ditador, moralista nato, o Senhor da Sala de Aula, o todo poderoso, pois a participação do aluno se limita ao que ele arquitetou previamente. Onde está o princípio de educar para cidadania? O Mundo mudou, a educação mudou, nossos alunos não podem mais viver de a olhar, ouvir, copiar e prestar contas numa avaliação. Precisa ter o senso de sociedade, de reflexão e criticidade. A Escola Presencial tem mais Prática de Ensino do que o verdadeiro Ato de Educar, segundo Paulo Freire, apud Marco Silva:
"O professor ainda é um ser superior que ensina a ignorantes. Isto forma uma consciência bancária [sedentária, passiva]. O educando recebe passivamente os conhecimentos, tornando-se um depósito do educador. Educa-se para arquivar o que se deposita."3
Enquanto perfis de educadores como o citado existirem, a educação presencial só tem a perder. A modernização é inevitável para tudo e todos, devemos nos adaptar a elas. A tecnologia digital tempera a educação moderna, prepara as novas gerações para o mercado de trabalho, implementa o ensino a distância como um elemento essencial a educação presencial, semi-presencial e a capacitação de professores. Saber utilizar as novas mídias, está antenado com as novas tecnologias, não é tudo, é mais um requisito básico do novo docente, que diante de um sistema pedagógico funcional terá um processo ensino-aprendizagem também funcional.
Então, é preciso enfatizar: o essencial não é a tecnologia, mas um novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade comunicacional que supõe interatividade, isto é, participação, cooperação, bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre informações e atores envolvidos. Mais do que nunca, o professor está desafiado a modificar sua comunicação em sala de aula e na educação. Isso significa modificar sua autoria enquanto docente e inventar um novo modelo de educação. Como diz Edgar Morin, "hoje, é preciso inventar um novo modelo de educação, já que estamos numa época que favorece a oportunidade de disseminar outro modo de pensamento". A época é essa: a era digital, a sociedade em rede, a sociedade de informação, a cibercultura.4
Cabem as escolas e universidades inserirem os seus professores nesse novo mercado, que não em fruto de política pública, incorporando o conhecimento tecnológico digital, estimulando a pesquisa como base de construção do mesmo conhecimento, desenvolver a capacidade de criar hipóteses e soluções de problemas, desenvolverem habilidades do trabalho em grupo, é a Sociedade do Conhecimento criando o novo perfil para o educador comprometido, competente, crítico, aberto as mudanças, exigente, mais além de tudo Interativo. Diante de uma reciclagem constante via web, o professor pode reformular e ampliar sempre seus conhecimentos.
1. Marco Silva - é Sociólogo, doutor em educação, professor da UERJ e da UNESA. TECNOLOGIA EDUCACIONAL. Sala de Aula Interativa: A Educação Presencial e a Distância em Sintonia com a Era Digital e com a Cidadania.
2. MARCHAND, Marie. Les paradis informationnels: du minitel aux services de communication du futur. Paris: Masson, 1986, p. 9s. Ver também: Marco SILVA. Interatividade: uma mudança fundamental do esquema clássico da comunicação. Boletim Técnico do SENAC, Rio de Janeiro, v. 23, nº 3, p. 19-27, set./dez., 2000.
3. FREIRE, Paulo. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. p. 38.
4. MORIN, Edgard. Os países latinos têm culturas vivas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 05, set., 1998. p. 4. Caderno Idéias/Livros. 


Sexo feminino está dominando o universo da EAD

As mulheres estão dominando o mundo. A frase que parece feminista encaixa-se perfeitamente no universo da educação a distância. O resultado do último Censo do Ensino Superior, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), comprova isso. De acordo com o levantamento, as mulheres são maioria nessa etapa da educação, principalmente na modalidade a distância, representando cerca de 55% dos alunos na modalidade presencial e mais de 69% na EAD. Entre os concluintes dos cursos, as mulheres também são maioria: 58,8% em cursos presenciais e 76,2% a distância.
A pesquisa também mostrou mais uma particularidade: as mulheres iniciam os cursos mais tarde, por volta dos 28 anos e o tipo de curso preferido é a licenciatura. São mulheres que buscam tardiamente uma graduação devido a diversos motivos, como dificuldades financeiras (nessa idade, elas já têm uma estabilidade maior que lhes permite investir nos estudos) ou questões familiares (são mães que deixaram os estudos para cuidar de seus filhos e, após o crescimento deles, podem se dedicar ao sonho de continuar de onde pararam).
O Censo mostra que a mulher busca a consolidação do seu espaço no mercado de trabalho, competindo em caráter de igualdade com os homens. Na maioria das vezes, elas são atraídas pela flexibilidade de horário e pela facilidade de inclusão que a educação a distância oferece, já que normalmente cumprem dupla jornada: a carga horária exercida na empresa e o tempo dedicado à família.

 
   Fonte: Portal da A
http://www.wpos.com.br/noticia.php?id=42 

sábado, 30 de julho de 2011

Educação a Distância - O papel do professor na educação a distância


 
A educação a distância (EaD), é uma modalidade democrática de ensino, onde a separação entre professor e aluno se transforma em fator de integração para agregar valor ao currículo.
A Educação a Distância possui uma metodologia muito flexível em relação ao tempo de estudo.
Segundo José Manuel Moran (2002), a EaD pode ser acontecer nos níveis fundamental, médio, superior e na pós-graduação, mas é mais adequada para adultos já experientes e que têm autonomia para estudar e pesquisar.
É um método de ensino que está crescendo à medida que as tecnologias avançam e o conhecimento científico evolui.
Os cursos de Educação a Distância possuem equipes multidisciplinares e os professores assumem papéis que incluem desde a gestão administrativa até a atuação como professor virtual. Os professores são os conselheiros quando acompanham os alunos. Atualmente, vivemos um período de transição. Nos Cursos EaD temos vários professores interagindo com o aluno em diferentes níveis de influência, com um único objetivo, facilitar a aprendizagem. É comum afirmarmos que na Educação a Distância o aluno aprende sozinho, conduzindo com autonomia seu caminho na aquisição do conhecimento.
O papel do professor na educação a distância é tão importante quanto no presencial apesar de sua forma de atuar ser diferente. O professor responsável por um determinado conteúdo não precisa ser um especialista em tecnologia para operacionalizar as propostas. Ele precisa ser um usuário pleno das tecnologias para ser capaz de propor formas de interação do seu conteúdo por outras mídias. Um professor que esteja restrito ao entendimento de que a aula só acontece em uma sala tradicional, não conseguirá transpor os conteúdos de sua disciplina para a metodologia a distância com eficácia. É necessário uma mudança de atitude frente ao novo.
Abraços,
Regina